Cirurgia de câncer de mama sem opioides

Cirurgia de câncer de mama sem opioides

Estudo belga demonstrou que pacientes submetidos a cirurgias de câncer de mama opioid free precisaram de menos analgésicos no pós-operatório

O câncer de mama é o principal câncer que acomete as mulheres e seu tratamento é bastante doloroso e traumatizante tanto por questões físicas quanto emocionais. Essa doença também acomete homens e não são poucos: para cada 100 mulheres com câncer de mama, um homem terá a doença.

Anestesia opioid free em cirurgia de câncer de mama

Bruxelas, na Bélgica, se tornou uma referência em estudos sobre anestesia opioid free. Lá, no Instituto Jules Bordet, foi desenvolvido um estudo, publicado no Euroanaesthesia 2016 e liderado pela Dra. Sarah Saxena, que demonstrou que suprimir o uso de opioides na cirurgia de câncer de mama pode resultar em menos necessidade de analgésicos no pós-operatório.

Estudo

O ensaio controlado randomizado foi conduzido com dois grupos de 33 pacientes submetidos a mastectomia ou tumorectomia: um grupo de pacientes recebeu opioides durante a cirurgia e outro grupo não recebeu. A analgesia opioid free foi realizada com a combinação de clonidina (0,2 mcg / kg), ketamina (0,3 mg / kg) e lidocaína (1,5 mg / kg). Quando necessário, foi administrado um bolus extra de ketamina (0,2 mg / kg). 

A analgesia usando opioides foi feita com uma combinação de infusão de remifentanilketamina (0,3 mg / kg) e lidocaína (1,5 mg / kg). 

Os dois grupos receberam paracetamol intravenoso (1000mg / 6h) e diclofenaco intravenoso (75 mg / 12h) e os pacientes receberam uma bomba de ACP (Analgesia Controlada pelo Paciente) para dor irruptiva durante as primeiras 24 horas pós-operatórias.

As condições clínicas dos pacientes e o consumo do analgésico piritramida pela ACP foram avaliadas nas primeiras 24 horas pós-operatórias. Para dois pacientes do grupo opioid free, os dados não foram completos, portanto, um total de 64 pacientes foi incluído no estudo. O uso médio total da piritramida nas 24 horas do pós-operatório foi de 8,1 mg (variação de 2,0-14,5) no grupo opioid free e de 13,1 mg (variação de 6,0-16,0) no grupo opioide. Uma diferença estatisticamente significativa. 

Conclusão

Segundo a Dra. Saxena, o resultado mostra que os pacientes do grupo opioid free precisaram de menos analgésicos, mas receberam alívio adequado da dor, ou seja, pacientes precisam de menos analgésicos 24 depois de uma anestesia opioid free do que depois de uma anestesia com opoides.

Ela acrescenta que esse benefício precisa de mais estudos que o confirmem, mas que a opioid free na cirurgia do câncer de mama também pode evitar vários outros efeitos colaterais relacionados a opioides, como náuseas e vômitos pós-operatórios, No entanto, é cedo para recomendar a opioid free a todos os pacientes de câncer de mama, é preciso mais pesquisas.  

Com informações de:
ESA (European Society of Anaesthesiology)
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