Comunicado Covid-19 da SAMG (Sociedade de Anestesiologia de Minas Gerais)

Comunicado Covid-19 da SAMG (Sociedade de Anestesiologia de Minas Gerais)

Sociedade de Anestesiologia de Minas Gerais

Prezados colegas,

Mediante a pandemia de Sars-CoV-2 (também chamado de Covid-19), nos próximos meses, nós, Anestesiologistas, estaremos na linha de frente do atendimento dos pacientes suspeitos bem como dos casos confirmados, trabalhando muito próximos às vias aéreas destes pacientes. Portanto, além da importância de mantermos um trabalho de qualidade, visando a segurança dos pacientes, e tomarmos precauções para tentar conter a propagação do vírus em nosso país, temos que tomar medidas para garantir nossa própria segurança.

Listaremos alguns procedimentos COM ALTO RISCO DE EXPOSIÇÃO ao vírus:

– Intubação Traqueal

– Extubação Traqueal

– RCP (Reanimação Cardio-Pulmonar)

– Broncoscopia

– Nebulização

Os profissionais envolvidos no atendimento aos casos SUSPEITOS ou CONFIRMADOS mesmo que não havendo manipulação de Vias Aéreas são considerados expostos a RISCO INTERMEDIÁRIO de contaminação, e devem ser expostos pelo MENOR TEMPO POSSÍVEL ao contato com os pacientes.

A fim de de minimizarmos o risco de exposição e propagação do Vírus, seguem algumas orientações para o manejo dos casos suspeitos ou confirmados.

Preparo da sala de procedimento

1. Adequadamente ventilada; para procedimentos médicos geradores de aerossóis realizados fora da sala de operações é preferível uma sala de isolamento com pressão negativa/ar, com um mínimo de 12 trocas de ar.

2. Paciente deve usar uma máscara facial durante o transporte para a sala de procedimentos.

3. Equipe envolvida no cuidado do paciente, deve usar equipamentos de proteção individual (EPI), lembrando que a máscara cirúrgica comum (de 2 camadas), estando adequadamente vedada, protege quem não está trabalhando próximo as vias aéreas, devendo ser trocada a cada 2 horas. Não deve ser colocada no bolso ou no pescoço pois se tornará propagadora de infecção, além de gerar risco de auto contaminação. Lembrando que apenas os profissionais envolvidos diretamente no procedimento (IOT) devem utilizar a máscara N95 ou kit. Os demais devem utilizar máscaras cirúrgicas conforme normalmente indicado para estes procedimentos.

4. A Higienização das mãos deve ser realizada pela equipe antes e após o contato com o paciente, principalmente antes de colocar e remover os EPIs.

5. O número de pessoas deve ser reduzido ao mínimo, se possível sem troca de profissionais durante o procedimento.

COMPONENTES ESPECÍFICOS DE EPI SELECIONADOS PARA PROCEDIMENTOS MÉDICOS GERADORES DE AEROSSÓIS em pacientes suspeitos ou confirmados:

1. Respirador de partículas (Instituto Nacional dos EUA de Segurança e Saúde Ocupacional, certificado N95, N95, padrão da UE FFP2 ou equivalente).

2. Proteção para os olhos (óculos ou protetor facial descartável).

3. Roupas resistentes a líquidos.

4. Duas luvas.

OBS.:

– Qualquer componente de EPI que se torne sujo durante o procedimento de ser imediatamente descartado.

– Atenção ao usar EPI para evitar auto contaminação.

– Após remover o equipamento de proteção, o profissional de saúde deve evitar tocar nos cabelos ou no rosto antes de limpar as mãos.

Intubação

1. O gerenciamento das vias aéreas deve ser reservado ao *anestesista mais experiente* (sempre que possível).

2. Filtro hidrofóbico de alta eficiência, interposto entre a máscara facial e o circuito respiratório ou entre a máscara facial e a bolsa de vias aéreas.

3. Pré-oxigenação com oxigênio a 100% e indução em sequência rápida . Evitar a ventilação manual do paciente.

4. A indução em sequência rápida pode ser modificada se o paciente for incapaz de tolerar 30 segundos de apneia ou se for contraindicado uso de succinilcolina.

5. Se possível evitar intubação por fibroscópio acordado. Considerar videolaringoscópio.

6. Preferir intubação traqueal à máscara laríngea.

7. No tratamento de pacientes com dificuldade respiratória por infecção por coronavírus fora da sala de cirurgia, a ventilação não invasiva deve ser evitada, e considerar a intubação precoce em paciente com deterioração rápida.

8. Encapar o laringoscópio imediatamente após uso com uma das luvas.

Tudo o que fizermos antes que a epidemia se espalhe parecerá alarmista, mas tudo o que fizermos depois parecerá insuficiente.

Portanto temos que agir agora. vamos enfrentar esta epidemia na linha de frente, trabalhando, orientando e dando bons exemplos. A Anestesiologia sempre teve papel protagonista na busca pela segurança dos Pacientes. Novamente tomamos essa tarefa em nossas mãos para que possamos superar este desafio de Saúde coletiva da forma mais segura possível.

A Sociedade de Anestesiologia de Minas Gerais se coloca à disposição de todos os colegas e da população para prestar esclarecimentos e trabalhar em conjunto com os colegas, hospitais e autoridades.

Sigamos em frente com força, coragem e fé.

Sociedade de Anestesiologia de Minas Gerais
Biênio 2020-21

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