Monitorização com EEG pode ajudar a reduzir mortalidade no pós-operatório de pacientes idosos em cirurgias de grande porte

“Menos anestesia não diminui risco de delirium no pós-operatório”, um veículo de comunicação norte-americano sobre saúde noticiou na semana passada, baseado em um estudo publicado no Journal of American Medical Association (Jama) [Revista da Sociedade Médica Americana]. O que o estudo Effect of Electroencephalography-Guided Anesthetic Administration on Postoperative Delirium Among Older Adults Undergoing Major Surgery [Efeito da administração de anestesia guiada por eletroencefalografia sobre o delirium no pós-operatório entre idosos submetidos a cirurgia de grande porte] concluiu foi que monitorar a atividade cerebral com eletroencefalograma com o objetivo de guiar a administração de anestésicos – e possivelmente diminuir os níveis desses anestésicos – durante a cirurgia não teve efeito significativo sobre a ocorrência de delirium entre pacientes idosos submetidos a cirurgias de grande porte, ao contrário do que sugeriam estudos anteriores. Até agora, a supressão de onda no eletroencefalograma (EEG) durante o intra-operatório, frequentemente sugerindo excesso de administração na anestesia geral, era associada a delirium no pós-operatório. O estudo foi realizado no Hospital Barnes-Jewish, em Saint Louis, Missouri, nos Estados Unidos, por um grupo de médicos anestesistas de universidades dos Estados Unidos e do Canadá.

Um achado positivo do estudo, no entanto, é que houve menos mortes no grupo monitorado com EEG, com uma diferença é estatisticamente significativa. Para o principal autor do estudo, Michael S. Avidan, professor de Anestesiologia da Escola de Medicina da Universidade de Washington, é necessário monitorar o cérebro de cada paciente durante a anestesia geral, assim como rotineiramente são monitoradas as funções cardíaca e pulmonar: “A monitorização de outros órgãos durante a cirurgia tornou-se o padrão de atendimento, mas por alguma razão, embora o cérebro seja o alvo dos anestésicos, esse tipo de monitoramento e ajuste nunca se tornou rotina”.

Em editorial que acompanha a publicação do estudo no Jama, dois médicos da Universidade Queen Mary, de Londres, Thomas Abbot e Rupert Pearse, atalham que o estudo tem várias limitações: foram usados somente anestésicos voláteis na anestesia geral, e não está claro se, ao longo do tempo, os fabricantes dos dispositivos utilizados fizeram alterações no índice biespectral, o BIS, e em outros algoritmos proprietários, dificultando a comparação com estudos anteriores. Abbot e Pearce não descartam a monitorização com EGG: “Mesmo que o estudo não tenha demonstrado efeito sobre o delirium, a menor taxa de mortalidade observada em 30 dias entre o grupo monitorado por EEG é intrigante e parece consistente com achados da análise secundária de um estudo randomizado de 2010”.

Como nos Estados Unidos os dados associam delirium pós-operatório ao prolongamento de internações comuns e em UTI e a mais risco de morte, organizações americanas identificaram a prevenção dessa condição como prioridade de saúde pública, incluindo instituições como o National Institutes of Health [Instituto Nacional de Saúde], a American Geriatric Society [Sociedade Geriátrica Americana] e a American Society of Anesthesiologists [Sociedade Americana de Anestesiologistas].

No Brasil, a monitorização cerebral não é obrigatória, mas a WMC Anestesia a recomenda fortemente. No 7º AnestEdu, o Dr. Giorgio Pretto ministrou aula teórica e prática e sobre o assunto.

Com informações de: Futurity, MedPage Today e MedScape

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.